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Leis e Costumes

Usa-se alimentos a base de leite

 

Costuma-se comer alimentos à base de leite em Shavuot. Existem várias razões para este costume:

A partir da outorga da Torá, passou a valer a obrigação de cumprir as leis da Cashrut. Como a Torá foi outorgada no Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios podiam ser casherizados, portanto neste dia come-se laticínios.

Outro motivo é que a Torá é comparada ao leite. A palavra hebraica para leite é "chalav". Quando o valor numérico de cada uma das letras da palavra chalav são somadas (8+30+2), chega-se ao total de quarenta. Quarenta é o número de dias que Moshê passou no Monte Sinai, recebendo a Torá diretamente de D’us.

O estudo durante a vigília de Shavuot

Ao entrar no beit midrash às 4h37m da manhã, Shlomo foi simultaneamente dominado pelo forte aroma de café e o barulho de centenas de pessoas estudando Torá com toda a força de seus pulmões. O aposento simplesmente pulsava de atividade. Ele passou pelo labirinto de pessoas, e colocou um volume doTalmud próximo a seu terceiro copo de chá, e inclinou-se para puxar seu assento de sob a mesa.

Quando sua mão agarrou as cotas da cadeira de plástico branco ele lembrou-se da regra da noite – sentar significa dormir. Voltou a cadeira ao lugar e moveu-se para a esquerda, em direção a uma estante de madeira. Ele e mais outros 200 tinham estado estudando de propósito no beit midrash desde as 9 horas da noite anterior – mais que sete horas sem parar – e ainda tinham duas horas até o nascer do sol. Embora estivesse exausto, Shlomo sentiu-se determinado a mergulhar naquele texto talmúdico até o dia clarear. A cafeína forneceria um impulso artificial de energia (e pressão sangüínea) mas finalmente, Shlomo percebeu que seu desejo de aprender, sua perseverança, traria a longa noite a um final bem-sucedido.

Assim como Shlomo, dezenas de milhares de judeus no mundo todo passarão a noite de Shavuot inteira estudando Torá. A experiência de aprender por toda a noite serve realmente como modelo para o ano todo: D’us ordena: "Este livro da Torá não é para sair de tua boca; deves contemplá-lo dia e noite" (Yehoshua 1:8). Isso se traduz em uma das mitsvot mais abrangentes. Um judeu deve estabelecer tempo todos os dias para o estudo de Torá – de forma ideal, bastante tempo – e, independente do número de horas, a Torá deve permanecer como o supremo objetivo de um judeu. D’us exige nossa máxima dedicação de tempo e energia à busca da verdade através da Torá, pois quanto mais esforços fizermos para estudar a Torá, mais ela torna-se uma parte de nós, e mais se fortalece nosso relacionamento com o Criador.

Em Pirkê Avot (2:17) Rabi Yossi nos galvaniza, dizendo: "Prepare-se para aprender Torá, pois não é [atingida sem esforço] por você [como] um legado.."

Quanto mais trabalharmos para aperfeiçoar nosso caráter e quanto mais diligentemente procurarmos as profundezas do conhecimento de Torá, mais nossos esforços serão recompensados neste mundo e no vindouro.

Rabino Chaim de Volozhin enfatiza este conceito citando duas fontes que parecem contradizê-lo. Ao abençoar o povo judeu antes de sua morte, Moshê descreve a Torá como sendo "a eterna herança para a congregação de Israel" (Devarim 33:4).

A palavra hebraica "morashá', que significa legado, sugere também herança, algo que vem automaticamente e sem esforço. Isso poderia sugerir que há uma garantia de sucesso automático no estudo e crescimento de Torá. Similarmente, o Talmud registra que para qualquer família com três gerações de eruditos de Torá, D’us garante que a cadeia de erudição de Torá continuará nas futuras gerações, como o Talmud sumariza homileticamente: "A Torá sempre retorna ao alojamento que lhe é familiar." Esta família deu as boas vindas à Torá por três gerações, portanto, da mesma forma, a Torá torna-se um freguês fiel que volta. Entretanto, embora isso possa parecer muito bom, é consistente com a passagem em Pirkê Avot, que declara que o conhecimento de Torá somente pode ser conseguido através de busca diligente?

Rabi Chaim responde que a passagem em Pirkê Avot foi cuidadosamente elaborada para dispersar a falsa noção de que a Torá pode ser conseguida sem esforço. Devemos traduzir este versículo de maneira mais precisa: D’us promete que a Torá é o legado do povo judeu, a "congregação de Israel", e sempre existirá no meio deles como uma entidade viva e dinâmica.

Porém cada indivíduo deve provar-se merecedor de sua aquisição.

Da mesma forma, devemos seguir a analogia feita pelo Talmud até sua conclusão lógica: A Torá retornará como um hóspede fiel a seu alojamento já conhecido, com a família de eruditos de Torá. Entretanto, como bem sabe o gerente de qualquer hotel, se a tinta está descascando nas paredes e os quartos cheiram a mofo e não são convidativos, os clientes logo perderão sua lealdade e não voltarão mais. Finalmente, cabe ao indivíduo demonstrar que merece continuar a tradição de erudição e piedade estabelecida pelo seu pai, avô e bisavô. Apenas então ele será merecedor e a história de sua família se realizará.

Crescimento na Torá é a conquista mais significativa e mais duradoura que um judeu pode atingir, e quanto mais esforço dedicarmos a isso, mais receberemos em retorno. De fato, em Shavuot e em todas as outras noites, a este respeito, é nossa obrigação e privilégio dedicarmo-nos ao desenvolvimento pessoal através da Torá, um legado eterno ao povo judeu.

No Kitsur Shulcham Aruch

 

As Halachot sobre a contagem do ômer estão no capítulo 120 do Kitsur Shulchan Aruch.

Fonte: Site Chabad

Adornando nossas casas

 

Em Shavuot costuma-se enfeitar a casa e a sinagoga com frutas, flores e folhagens. O motivo disso é que na época do Templo Sagrado, os primeiros frutos da colheita eram oferecidos em Shavuot. Nossos Sábios relatam também que, embora o Monte Sinai se localizasse em um deserto, quando a Torá foi outorgada a montanha floresceu e muitas flores brotaram.

Como se estivesse acontecendo agora!

 

Shavuot é o dia no qual celebramos a grande revelação da Outorga da Torá no Monte Sinai, no ano 2448. As almas de todos os judeus de todos os tempos juntaram-se para ouvir os Dez Mandamentos, transmitidos pelo próprio D'us.

Em Shavuot, na realidade, D'us está nos dando novamente a Torá. Por isso, o Rebe conclamou que todo judeu, homem, mulher, e especialmente crianças (até mesmo bebês recém-nascidos) devem fazer todo o esforço para estarem presentes numa sinagoga durante a leitura dos Dez Mandamentos.

A leitura do livro de Rute

 

Em muitas sinagogas lê-se o Livro de Ruth no segundo dia de Shavuot. Há vários motivos para este costume:

A - Shavuot é a data de nascimento e yahrzeit (dia de falecimento) do Rei David, e o Livro de Ruth registra sua ancestralidade. Ruth e seu marido Boaz foram os bisavós do Rei David.

B - As cenas de colheita, descritas no Livro de Ruth, são apropriadas ao Festival da Colheita.

C - Ruth foi uma convertida sincera que abraçou o judaísmo de todo o coração. Em Shavuot, todos os judeus foram como convertidos, tendo aceitado a Torá e todos seus preceitos.

Yscor

 

No 2º dia de Shavuot, recita-se Yizcor em memória de entes queridos falecidos.

O Yizcor fornece ao enlutado a oportunidade de rezar pela alma do falecido, de renovar seu próprio comprometimento espiritual, e de contribuir para caridade para elevação da alma daquele que partiu. É recitado nas seguintes ocasiões: Yom Kipur, Shemini Atsêret, o oitavo dia de Pêssach e segundo dia de Shavuot, mesmo quando estes dias coincidem com Shabat.

Embora Yizcor possa ser recitado mesmo sem minyan, é preferível recitá-lo com minyan. Yizcor é recitado na sinagoga após a leitura da Porção da Torá, se Yom Tov cair em qualquer outro dia que não no Shabat. Se Yom Tov coincidir com o Shabat, Yizcor é recitado antes de “Av Harachamim”.

Ao recitar Yizcor por várias pessoas, os pais recebem precedência. Se ambos os pais já faleceram, um ou outro pode ser mencionado em primeiro lugar.


Nomes de homens e mulheres podem ser mencionados junto.
Uma pessoa cujos pais estão vivos não deve permanecer na sinagoga enquanto Yizkor está sendo recitado.


Quem tiver permissão para dizer Yizcor por um progenitor falecido, deve também recitar Yizcor por um cônjuge falecido, mesmo que tenha se casado novamente.

Leituras da Torah para Shavuot

 

Primeiro Dia

Leitura da Torá: Shemot 19:1-20:26; Bamidbar 28:26-31
Haftará: Yechezekel 1:1-28; 3:12

 

Segundo Dia

Leitura da Torá: Devarim 15:9-16:17; Bamidbar 28:26-31
Haftará: Habakuk 2:20-3:19

A prece dos pais pelos filhos

 

É especialmente importante rezar por filhos bons e corretos. Ao rezar por isto, deve-se também pedir a D’us que lhes forneça todas as necessidades e lhes envie um parceiro para a vida. Creio que a hora mais apropriada para recitar esta prece é na véspera de Rosh Chôdesh Sivan, pois este é o mês em que D’us nos deu Sua Torá e quando começamos a ser chamados de ‘Seus filhos’.

É adequado que todo se arrependa neste dia, comprometendo-se a melhorar em todas as áreas da vida de seu lar, e que façam caridade a pessoas pobres de caráter. Esta é a prece que devem recitar:

Foste Tu, Hashem, nosso D'us, antes da Criação, e és Tu, Hashem, nosso D'us desde a Criação. Deste mundo ao Mundo Vindouro, Tu és D'us. Criaste o mundo para tornar Tua Divindade conhecida através da Tua sagrada Torá, como ensinaram os Sábios, de abençoada memória: “‘No princípio…’ (Bereshit 1:1) [O mundo foi criado] em prol da Torá e em prol de Israel,” pois Israel é Tua nação e Teu legado. É a nação que escolheste entre todas as outras, a quem deste Tua sagrada Torá, e que aproximaste de Teu grande Nome. Para assegurar a continuação de Tua Torá, recebemos de Ti, Hashem, nosso D'us, dois mandamentos: Tu escreveste em Tua Torá “Sejais frutíferos e multiplicai-vos” (Bereshit 1:28) e também escreveste “Vós os ensinareis aos vossos filhos” (Devarim 11:19). Estes dois mandamentos têm um só propósito: Tu não criaste o mundo para que fosse desolado, mas sim para ser habitado por pessoas; é para Tua honra que o fizeste, criaste e modelaste o mundo, para que nós, nossos filhos e os filhos de todo o Teu povo, a Casa de Israel, conhecesse Teu Nome e estudasse Tua Torá.

E assim venho perante Tu, Hashem, Rei que reina sobre os reis, e lanço minha súplica perante Tu. Meus olhos dependentemente olham para Ti até que sejas gracioso para mim e ouças minha súplica e conceda-me filhos e filhas. E que eles também sejam frutíferos e se multipliquem – eles, seus filhos e seus netos até o fim de todas as gerações – para que eles e eu possamos ser incluídos em Tua sagrada Torá, aprendendo, ensinando, guardando, realizando e cumprindo todas as palavras de ensinamento de Tua Torá com amor. Esclarece nossos olhos em Tua Torá e une nossos corações aos Teus mandamentos, para amar e temer o Teu Nome.

Nosso Pai, Pai misericordioso, concede-nos vida longa e abençoada. Quem é como Tu, Pai Misericordioso, que lembra das Suas criaturas misericordiosamente para a vida. Lembra de nós para a vida eterna como rezou nosso pai Avraham: “Ó, que Yishmael possa viver perante Tu!” (Bereshit 17:18) – com temor do Céu.

É por este motivo que venho pedir e implorar perante Ti que meus filhos e netos sejam corretos; que nenhuma mancha ou imperfeição seja encontrada em meus filhos ou netos; que eles desfrutem somente paz, verdade e bondade; e que eles estejam eretos aos olhos de D'us e dos homens. Que eles se tornem pessoas de Torá, mestres da Escritura, Mishná e Talmud, mestres dos segredos da Torá, pessoas de mitsvot e atos de bondade, pessoas de caráter valoroso, e que Te sirvam com amor e com verdade, temor interiorizado do Céu, não apenas temor aparente. Por favor, dá a cada pessoa entre meus descendentes todas as suas necessidades de maneira honrosa. Concede-lhes saúde, honra, força e dá-lhes estatura, beleza, encanto e bondade. Que haja amor, fraternidade e paz entre eles. Dá a eles parceiros adequados de famílias de eruditos de Torá e judeus justos e tementes a D'us. E que seus parceiros sejam também abençoados com tudo que eu Te pedi para concederes a eles, pois uma prece pode afetar a vida de muitos.

Tu, Hashem. conhece todos os profundos segredos, e perante Tu todos os recessos do meu coração se desnudam. Tu sabes que tudo que peço é em prol do Teu sagrado Nome e em prol da Tua sagrada Torá. Portanto, responde-me, Hashem, por favor, responde-me pelo nome de nossos sagrados patriarcas Avraham, Yitschac e Yaacov, porque os antepassados ajudam os descendentes para que cresçam para ser ramos que refletem suas raízes. Faz assim pelo Rei David, a quarta perna da Carruagem Sagrada, que canta, inspirado pelo Teu sagrado Espírito.

Uma canção do alto. Louvável é cada pessoa que teme Hashem, que caminha em seus caminhos. Quando você come o trabalho de suas mãos, é louvável, e está bem com você.

Sua esposa será como uma vinha frutífera nas câmaras internas de teu lar; seus filhos serão como galhos de oliveira rodeando sua mesa. Veja! Pois assim é abençoado o homem que teme a Hashem. Que Hashem o abençoe de Tsiyon, e que você contemple a bondade de Jerusalém, todos os dias de sua vida. E que você possa ver filhos nascidos para teus filhos, a paz sobre Israel (Salmos 128).

Por favor, Hashem, que escuta nossas preces, que as palavras do profeta: “E quanto a Mim, este é Meu pacto com eles,” disse Hashem, “Meu espírito que está sobre vós e Minhas palavras que coloquei em sua boca não serão retiradas de sua boca, nem da boca de seus filhos, nem da boca dos filhos dos seus filhos,” disse Hashem, “a partir deste momento e para sempre” (Isaías 59:21) sejam cumpridas sobre mim.

Que as expressões da minha boca e os pensamentos do meu coração encontrem favor perante Tu, Hashem, minha Rocha e meu Redentor.