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Entenda Purim

A FESTA DE PURIM

 

A festa de Purim, celebrada no décimo quarto dia de Adar no próximo ano, em 18 e 19 de março de 2003, é o dia mais alegre do calendário judaico. Um dia, segundo nossos sábios, no qual devemos alegrar-nos mais do que em qualquer outra de nossas festas.

Em Purim celebramos a milagrosa salvação dos judeus da Pérsia, que lá foram exilados após a destruição do Primeiro Templo. O nome da festa advém da palavra persa "pur", que significa "sorte". A Meguilat Esther o livro que relata com detalhes a história de Purim explica: "Por isso, àqueles dias chamam Purim (sortes)" por causa da sorte que Haman havia lançado, determinando o dia em que os judeus seriam aniquilados".

Nossos sábios explicam que existem motivos profundos para Purim ocorrer no mês de Adar. O Talmud assim declara: "Quando [o mês de] Adar se inicia, nós aumentamos a nossa alegria". A razão disso é que o povo judeu se torna mais espiritualmente fortalecido e protegido durante esse mês. A fonte da força judaica nessa época do ano é baseada em uma conexão mística entre a Torá e o mês de Adar, cujo signo é peixes. Os livros místicos revelam que assim como o mar alimenta e protege os peixes, a Torá alimenta e protege o povo judeu.

Na Meguilat Esther, estão relatados, segundo o testemunho dos personagens centrais, Mordechai e Esther, os eventos ocorridos no Império Persa por volta do ano 450 aEC. A leitura pública deste relato é um dos mandamentos mais importantes da festa. Na própria Meguilá estão mencionados alguns dos preceitos que devem ser observados nesta data, sendo que outros foram instituídos pelo próprio Mordechai, segundo afirmam nossos sábios.

"Esses dias serão lembrados e comemorados em todas as gerações, em todas as famílias, em todas as províncias, em todas as cidades ..." (Esther 9:28 ). Segundo o Midrash, Purim nunca deixará de existir e ninguém está isento de sua observância - homens, mulheres e crianças. Mesmo que todos as festas sejam anuladas, Purim nunca o será. E os acontecimentos serão lembrados pela leitura da Meguilá e celebrados com festas, oferta de alimentos, alegrias e presentes.

Em Purim agradecemos a D'us "pelos milagres, pela salvação, pelas maravilhas que obrou conosco...". Por isto, durante as rezas da Amidá (Shmone Esre) e do Bircat Hamazon (bênção após uma refeição em que se comeu pão), adiciona-se o trecho "Al Hanisim". No dia 14 de Adar, por ser um dia de muita alegria, é proibido jejuar e não se deve realizar trabalho desnecessário, nem é ocasião para lamentações e luto.

As celebrações referentes a Purim se iniciam no Shabat que antecede a festa: no sábado de manhã, a leitura da Torá na sinagoga deve incluir a porção Zachor (Êxodo 17:8-16). Este trecho lembra o ataque do povo de Amalek contra Israel pouco após sua libertação do Egito. Essa leitura está relacionada à data festiva, pois o grande vilão de Purim, o malévolo primeiro-ministro Haman, descendia de Amalek. A Torá nos manda recitar essa passagem para recordar e estar sempre atentos aos planos malignos dos inimigos do povo de Israel." Pois Haman, inimigo de todos os judeus, não se satisfaria com nada menos do que a destruição física de todo o povo judeu" (Esther 9:24).

De fato, apesar de Purim ser o dia mais alegre do ano, sua história é sobre a reversão de um édito de genocídio contra o povo judeu. Conta a história: para salvar seu povo, Esther teve que enfrentar o rei. Por isso, ciente do grave perigo, pede a Mordechai: "Vá e reúna todos os judeus que estão em Shushan e jejuem durante três dias e três noites". Jejuando e pedindo perdão por todas suas falhas, os judeus de Shushan buscavam a Proteção Divina. Apelaram para a Misericórdia Divina, pois sabiam, assim como Esther, que somente com a ajuda do Todo-Poderoso poderiam conseguir a anulação do decreto fatal. Desde então, para lembrar este acontecimento, os judeus jejuam no dia anterior a Purim. O "Jejum de Esther", Taanit Esther, é iniciado pouco antes do nascer do sol do dia 13 de Adar e acaba ao pôr-do-sol do mesmo dia. 

Quando chega a noite e se inicia o dia 14 de Adar, começa a festa de Purim. Porém, antes de quebrar-se o jejum, ouve-se a Meguilat Esther. Esta deve ser lida na íntegra de um rolo de pergaminho e em voz alta, tanto à noite quanto na manhã seguinte. A leitura deve ser realizada na presença de um minian (um grupo de 10 homens judeus), de preferência na sinagoga. Toda pessoa deve ficar atenta durante a leitura para ouvir cada palavra, pois o propósito da leitura é entender o que ocorreu na época da Rainha Esther e aprender que os eventos de Purim não pertencem ao passado. Repetem-se, espiri-tualmente, em todas as gerações.

Três bênçãos são recitadas na noite de Purim, antes da leitura da Meguilá. E são repetidas no dia seguinte quando a Meguilá é lida novamente. Contudo, algumas comunidades apenas recitam a terceira benção a oração de Sheheheyanu na noite de 14 de Adar. Nas congregações em que também se recita esta oração no dia seguinte de manhã, deve-se anunciar que esta se aplica aos outros mandamentos de Purim. 

"Esses dias serão lembrados e comemorados em todas as gerações, em todas as famílias"... Um dos mandamentos de Purim é o envio de presentes os mishloach manot. Deve-se enviar pelo menos um presente, composto de dois diferentes tipos de alimentos, a um amigo. Os alimentos devem estar prontos para consumo, por exemplo, biscoitos, frutas, doces, vinho ou outras bebidas. Esta é uma obrigação que homens e mulheres devem cumprir no dia de Purim, não podendo ser substituída pelo envio de dinheiro ou de qualquer outro presente que não seja um alimento. É também aconselhável que esses presentes sejam entregues, sempre que possível, por terceiros, pois a palavra mishloach, que significa envio, indica que esta mitzvá deve ser cumprida por um intermediário. 

Para comemorar Purim, além de enviar presentes, devemos também dar tsedacá a pelo menos duas pessoas carentes. A generosidade com os mais necessitados é particularmente importante nessa ocasião, pois nada é mais agradável aos olhos de D'us. Nossos sábios ensinam que não existe maior mandamento da Torá do que ajudar os pobres e necessitados. Pois aquele que traz alegria aos outros é comparado ao próprio D'us, que revive o espírito dos oprimidos e restaura seus corações" (Rambam, Hilchot Meguilá 2).

Costuma-se dar tsedacá relativa ao cumprimento deste preceito no dia 13 de Adar, durante o jejum, e de preferência antes da reza da tarde, Minchá. Nessa ocasião, costuma-se dar uma doação equivalente a três "meio shekalim" (três moedas de prata). Uma doação que havia sido destinada à tsedacá, em data anterior, não deve ser usada para cumprir esta mitzvá. Em Purim, mesmo os mais necessitados têm a obrigação de dar tsedacá. Esta pode ser dada em forma de dinheiro, comida, bebida ou roupas. A quantia mínima doada deve ser suficiente para comprar pão para uma refeição. O mandamento de tsedacá deve ser cumprido de preferência durante a noite ou na manhã de 14 de Adar para que a doação traga a quem a receber benefícios durante o próprio dia de Purim. 

A comemoração de Purim por "todas as famílias" é cumprida através de uma seudá, uma refeição festiva. Todos são obrigados a comer, beber e se alegrar em Purim. O Zohar, obra fundamental da Cabalá, afirma que em Purim, ao deleitar-se com comida e bebida, pode-se alcançar a mesma elevação espiritual que ocorre durante o jejum de Yom Kipur. A refeição festiva de Purim deverá ser realizada durante o dia 14 de Adar, sendo costume incluir-se carne e vinho. Entre certas comunidades as comidas favoritas de Purim incluem doces de três pontas, que representam as orelhas de Haman. São chamados de oznei haman, pelos sefaraditas, e de hamantaschen, pelo ashquenazitas. O Talmud ordena que em Purim a pessoa beba vinho até que não consiga diferenciar entre "amaldiçoado é Haman" e "abençoado é Mordechai". Porém, se a saúde ou a conduta de uma pessoa for afetada negativamente pelo consumo de bebidas alcoólicas, esta não deverá consumir mais do que uma quantidade simbólica. 

Como o objetivo central da festa de Purim é fomentar e compartilhar a alegria, muitos judeus, em particular crianças, fantasiam-se e participam de desfiles e concursos. As fantasias mais populares costumam ser as de Mordechai e da Rainha Esther. Peças teatrais são encenadas para recontar a milenar história.
Uma Meguilá é comparada à Torá em seus requisitos rituais de como deve ser escrita: por um escriba e em um pergaminho. Mas como o Nome de D'us não é mencionado nenhuma vez na Meguilá, durante os séculos, os artistas tiveram a liberdade de ilustrá-la com magníficas ilustrações e iluminuras. Podemos encontrar retratados nas meguilot, Mordechai, Esther e até o malvado Haman.

Bibliografia:

Gold, Rabbi Avie, Purim Its Observance and Significance, 
Artscroll Mesorah Series
The Book of Our Heritage,
Feldheim Publications

Revists Morasha - Edição 39 - Dezembro de 2002

Achashverosh Sobe ao Trono da Pérsia

 

"E se passou nos dias de Achasverosh..." (Meguilat Ester 1:1)

Há mais de dois mil anos (no ano 3392 após a Criação do mundo), o rei Achashverosh subiu ao trono da Pérsia. Apesar de não ser o herdeiro legítimo da coroa, conseguiu impressionar o povo pelas suas riquezas e poder, estabelecendo seu reinado sobre todos os territórios persas. Guerreava muito e conseguiu numerosas vitórias. Seu império se estendia das índias até a Etíópia, comportando 127 países.

0 rei, que já havia conquistado vivamente o povo persa pela sua opulência, impressionou-o ainda mais com seu casamento com Vashti, filha de Belshatsar, rei da Babilônia, e neta do poderoso Imperador Nevuchadnetsar. 0 povo estava persuadido de que a dinastia babilônica estava destinada a reinar para sempre.

Achashverosh governava com mão de ferro e jamais hesitava em perseguir aqueles que suspeitava de traição. Os inimigos de Israel, bem conhecidos por sua astúcia, os samaritanos e amonitas, que tinham organizado uma campanha para abolir o decreto imperial do rei persa anterior, Ciro, autorizando os judeus a reconstruírem o Templo de Jerusalém, aproveitaram-se da situação. Corrompiam os governadores persas, nomeados para dominar o país de Yehudá e os países vizinhos, para que revelassem à corte imperial da Pérsia os rumores segundo os quais os judeus, ao reconstruírem o Templo, teriam a intenção de se revoltar e se libertar completamente do domínio persa. Como bem sabiam, nenhuma lei poderia ser anulada sem o consentimento do rei.

Estes samaritanos inescrupulosos decidiram então, utilizar-se de falsas acusações e declarar que os judeus, não somente reconstruiriam o Templo, mas reedificariam ao mesmo tempo as fortificações da cidade que foram destruídas pelo Imperador da Babilônia, Nevuchadnetsar.

A reconstrução das fortalezas ao redor de Jerusalém era proibida pelo império real. Os samaritanos pensavam então ser isso motivo suficiente para anular o decreto imperial do rei Ciro, autorizando os judeus a reconstruírem o seu Templo.

Entretanto, temiam proferir tais mentiras, facilmente esclarecidas, cujas conseqüências poderiam ser perigosas. Tramavam então um plano astucioso no qual não correriam o sério risco de serem responsabilizados por falsas acusações. Pretendiam subornar com dinheiro os secretários do rei encarregados de traduzir a acusação original escrita na língua samaritana, para que fossem acrescidas as palavras "Muro de Fortificação", na parte do texto que se referia ao Templo. Esperavam assim poder justificar sua mentira, invocando um simples erro de tradução.

Os dois secretários designados a apresentar o documento ao rei eram Rachum e Shamshi, sendo que o segundo era um dos filhos de Haman. Ambos possuíam um ódio feroz dos judeus. A trama obteve sucesso e os judeus receberam a ordem de parar a reconstrução do Templo em Jerusalém.

POR NISSAN MINDEL

fonte: Chabad

A HISTÓRIA DA RAINHA ESTHER

 

Há muitos e muitos anos passados, havia um monarca muito poderoso que reinava desde a Índia até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. Chamava-se Assuero e sua esposa, Vashti, era a mais bela mulher de toda a região. No terceiro ano do seu reinado, Assuero convidou todos os príncipes das outras províncias para lhes mostrar, durante 180 dias, a riqueza e magnificência do seu reino.

Terminado esse período, o rei estendeu o convite a todo o povo de Susan, sede do trono, para grandes festejos, durante uma semana, nos jardins do palácio. Tudo era deslumbrante e pomposo, desde as colunas de mármore e alabastro, às tapeça-rias lindíssimas, até as baixelas brilhantes, os copos de ouro, os fabulosos divãs sobre o pavimento de alabastro e pedras preciosas.

Ao mesmo tempo, a rainha Vashti reunia as esposas de todos os hóspedes do rei também para grandes festas no palácio.

No sétimo dia, como apoteose das celebrações, o rei achou que devia exibir o que possuía de mais precioso: a sua rainha. Mandou chamá-la, para ressaltar sua beleza. Ao receber o chamado, porém, Vashti firmemente respondeu: "Ah! Não, não vou. Primeiro que tudo, não sou amostra de papel, segundo estou me divertindo com as minhas amigas! Tinha graça deixá-las para me sentar como uma boneca no trono, ao lado do rei... Digam-lhe que agradeço o convite, mas não posso aceitar".

Quando os eunucos voltaram sós e, muito embaraçados, transmitiram a recusa da rainha, Assuero sentiu-se desrespeitado e humilhado ante o povo. Ao saírem os convidados, consultou os seus ministros: "Que atitude devo tomar com a rebelde Vashti?" A resposta foi unânime e imediata: "Despojá-la da coroa e coroar outra esposa. A atitude dela é imperdoável. Seguindo o seu exemplo, as outras mulheres desobedecerão os maridos e é uma vergonha para nós, porque cada homem deve ser o senhor na sua casa".

Foi difícil para Assuero tomar tal decisão. Amava muito a sua Vashti e passou bastante tempo apaixonado, chorando a sua ausência. Porém, seus ministros insistiam: urgia eleger-se outra rainha. Outra mulher tão bela como Vashti faria com que ele a esquecesse. Foram então postos editais em todas as províncias, convocando as moças do reino para que o rei escolhesse a substituta de Vashti.

Ora, havia um homem chamado Morde-chai, oriundo de Jerusalém, residente em Susan. Esse homem criara como sua a filha de um tio, órfã de pai e mãe. Chamava-se Esther. Era lindíssima. Ao saber do edital, Mordechai, achando que moça alguma poderia ser mais bela do que Esther, resolveu escondê-la. Comunicando-lhe sua decisão, recomendou: "Se fores escolhida não digas que és do povo judeu". Esther prometeu obedecer. Porque lhe obedecia em tudo. No íntimo, porém, desejava ser rejeitada porque não trocaria por trono algum a liberdade de escolher quem seu coração elegesse. Sua esperança era que o rei preferisse outra moça entre tantas e tantas que lhe eram apresentadas, cada uma por sua vez, no decorrer de anos, provavelmente. Mas o tempo passava, dias, meses, sem que Assuero coroasse nova rainha. A saudade de Vashti apagava a beleza das candidatas. Nenhuma lhe agradava.

Até que chegou Esther. E foi amor à primeira vista. "Como és linda!", repetia ele, fascinado. Esther sorria e seu sorriso iluminava o rosto moreno. Sete anos haviam passado desde a deposição de Vashti. Enfim, outra rainha, chamada Esther, ocupou o trono.

Entretanto Mordechai passava os dias andando ao redor do palácio para ter notícias da sua filha adotiva, já então rainha. Foi assim, nessas rondas, que ouviu dois eunucos confabulando sobre uma conspiração contra o rei. Imediatamente mandou comunicar a Esther. Ela tomou as providências devidas e foram punidos aqueles que tramavam derrubar Assuero. Essa atitude de Mordechai foi anotada nas "Crônicas Diá-rias" do reino.

Por esse tempo, a pessoa mais importante no reino, depois do rei, era Haman, que gozava de poderes especiais, recebendo honrarias, entre elas, por lei, que todo indivíduo se curvasse e se prostrasse à sua passagem. A lei era rigorosamente cumprida. Todos curvavam-se, prostravam-se, com exceção de uma pessoa: Mordechai, que não dava a menor importância a Haman. Ao notar o desdém de Mordechai, Haman encheu-se de ódio, não somente contra ele, mas contra todos os judeus. Denunciou os judeus a Assuero, acusando-os de terem costumes próprios e não obedecerem as leis do rei e aconselhando-o a exterminá-los. Conseguiu que Assuero ordenasse, em todas as províncias do reino, que todos os judeus adultos e crianças fossem executados em um só dia.

Ao ouvir a notícia da tragédia que ele próprio provocara, Mordechai correu para Esther, mandando que ela fosse suplicar ao rei piedade para o seu povo. Era uma ordem difícil de ser cumprida, porque ninguém tinha o direito de entrar no pátio que precedia o salão do rei sem ser por ele convocado, e quem o ousasse seria morto. Mas Mordechai insistiu: "Tens que ir, não penses que escaparás à chacina que ameaça todos os judeus".

E Esther criou coragem. Primeiro convocou seu povo, com a ajuda de Mordechai, pedindo a todos os judeus que jejuassem para ajudá-la em sua difícil missão. A seguir, vestiu-se com os paramentos reais e postou-se no pátio em frente ao salão real. Vendo-a, Assuero sorriu, acenando o cetro como sinal de que a receberia. Chamou-a para que se aproximasse. Perguntou-lhe, ternamente: "O que tens, rainha Esther, qual é a tua petição? Até metade do reino te será dado". Então Esther respondeu que apenas vinha convidá-lo para um jantar em que Haman também comparecesse. O rei aceitou, rindo-se de tão simples petição.

Quando recebeu o convite, Haman rejubilou-se. Achava-se tão importante que até a rainha o distinguia, convidando-o junto com o rei. "Mas", disse à sua esposa e aos filhos, "tudo isto não me satisfaz enquanto vir Mordechai sentado à porta do palácio". "Então mande enforcá-lo", falaram todos. Era justamente o que aconteceria em breve, esperava Haman; não só Mordechai; mas todo o seu povo deixariam de existir.

Aconteceu que, nessa mesma noite, o rei, insone, pediu que lhe lessem as "Crônicas Diárias" onde era assentado tudo o que acontecia no palácio. Ao ouvir o caso da conspiração tramada contra ele e de como Mordechai o salvara, quis saber que recompensa tinham dado a esse homem. "Nenhuma", responderam. Nesse momento chegou Haman e o rei consultou-o: "Que se fará ao homem a quem o rei está agradecido?" Pensando que esse homem só poderia ser ele, Haman propôs: "Que esse homem vista o traje real, use a coroa, monte o cavalo do rei e seja levado pelas ruas, apregoando-se: "Assim se faz ao homem a quem o rei está grato".

"Então", disse Assuero, "apressa-te, veste Mordechai e leva-o pelas ruas, como disseste". E Haman teve que cumprir as ordens do rei. Mas terminado o passeio pela cidade, voltou para casa furioso e contou à família o que lhe havia acontecido. "Como devo vingar-me?" perguntou à esposa, e ela falou assim: "Se Mordechai, perante quem já começaste a cair, é da semente dos judeus, não vencerás, mas certamente cairás perante ele".

No dia seguinte, quando se realizava o banquete de Esther, com a presença do rei e de Haman, Assuero perguntou novamente: "Qual é a tua petição, rainha Esther? E qual o teu requerimento? Até metade do reino te será dado".

Esther ergueu-se para dar mais ênfase às suas palavras: "Dê-me minha vida como petição e a do meu povo como requerimento. Porque estamos vendidos, eu e meu povo, para sermos destruídos".

O rei também levantou-se indignado: "E onde está aquele cujo coração o instigou a assim fazer?" E disse Esther, apontando para Haman: "O homem, o inimigo, o opressor é este".

Surpreendido e abalado por essa revelação contra o homem que ele mais prezava, Assuero retirou-se para o jardim. Então Haman atirou-se aos pés de Esther, pedindo misericórdia. Ao reentrar, Assuero, deparando com Haman ajoelhado diante de Esther, gritou-lhe colérico: "Porventura também queres forçar a rainha na minha própria casa? Guardas! Prendam este homem!"

Nesse mesmo dia, a pedido de Esther, o rei revogou a lei que decretava o extermínio de todos os judeus. E mandou chamar Mordechai; deu-lhe o anel que havia retirado de Haman, empossando-o na posição que o inimigo ocupara. Mordechai saiu do palácio usando o manto azul e branco, levando, na cabeça erguida, a coroa de ouro.

Seu primeiro ato como ministro foi decretar que os judeus preservassem como feriado, para sempre, os dias 14 e 15 do mês de Adar, dias esses em que a tristeza se transformou em alegria. Que os celebrassem com banquetes, troca de presentes entre a família e amigos, e dádivas aos pobres. E como nesses dias foi decidida a sorte dos judeus, os mesmos fossem chamados Purim, plural de pur, sorte, em hebraico.

Milênios são passados e milênios virão em que se celebra Purim como mandou Mordechai, com festas, trocas de presentes e donativos aos necessitados. E, ainda, a escolha da Rainha Esther entre as moças mais belas da comunidade.

Sultana Levy Rosenblatt
Mc Lean, Virgínia. 

Revista Morasha - Edição 39 - Dezembro de 2002

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